Lula critica resistência dos clubes em adotar SAFs e condena dependência de apostas

O presidente Lula defende a proibição das apostas e sugere que clubes busquem alternativas financeiras.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua insatisfação com os clubes de futebol brasileiros que se opõem à proibição das casas de apostas durante uma coletiva de imprensa na noite da última quinta-feira (8), em Brasília. Lula questionou a falta de interesse das equipes em adotar o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e criticou a dependência desses clubes em relação aos contratos de patrocínio com as apostas.
Essas declarações surgem em meio aos efeitos da Medida Provisória nº 1.394/2026, que encerrou as operações de apostas esportivas e cassinos online no Brasil. Com o prazo para adequação finalizado na última segunda-feira (5), clubes de várias divisões foram obrigados a remover as marcas das empresas de seus uniformes e espaços publicitários.
Lula comentou sobre as queixas de dirigentes que alertam sobre os impactos financeiros da proibição e enfatizou a necessidade de encontrar soluções sustentáveis. Ele sugeriu que os clubes considerem se transformar em empresas. "Os times podem virar empresas. Vocês estão lembrados que há três décadas todo mundo só falava em virar empresa. Agora pode virar empresa, por que não estão virando?", indagou o presidente.
O presidente acredita que a receita obtida com as apostas levou muitos clubes a não buscarem outras formas de financiamento. Ele defendeu que as equipes adotem práticas empresariais para se manterem ativas, argumentando que a facilidade proporcionada pelas apostas não deve ser uma solução permanente. "Vão ter que se virar, montar empresas e fazer o futebol funcionar como funciona em muitos lugares do mundo", afirmou.
Lula também refutou o argumento de que a perda dos patrocínios comprometeria a continuidade das atividades esportivas, lembrando que o futebol brasileiro teve sucesso antes do crescimento das apostas. "Os times de futebol não têm nenhuma razão quando falam 'ah, o futebol vai morrer'. O futebol era muito mais vivo quando não tinha bets. Fomos cinco vezes campeões do mundo sem bets. Depois das bets, mais nada", declarou.
Além disso, o presidente associou a proibição das apostas à proteção da renda familiar, afirmando que os recursos destinados às apostas estão comprometendo as necessidades básicas da população. "Enquanto eu for presidente, nós não vamos permitir que o leite, o pão e o feijão da família sejam utilizados para enriquecer e para lavagem de dinheiro nesse país", completou.
A decisão do governo gerou reações no futebol, especialmente entre clubes que tinham contratos significativos com operadoras de apostas. Durante a 29ª rodada do Campeonato Brasileiro, houve manifestações contrárias à medida, com o slogan "Proibir não é proteger" exibido em placas publicitárias nos estádios. O Flamengo, por exemplo, aproveitou seu uniforme para veicular a mensagem durante o jogo contra o Santos, na quinta-feira (8).
Enquanto isso, entidades ligadas às casas de apostas estão questionando judicialmente a proibição, que também está sendo analisada no Supremo Tribunal Federal (STF). O governo sustenta a constitucionalidade da norma, enquanto representantes do setor argumentam que a suspensão pode resultar em perdas econômicas, demissões e diminuição da arrecadação tributária.
O modelo de Sociedade Anônima do Futebol, mencionado por Lula, permite que os clubes operem sob uma estrutura empresarial, com regras específicas de gestão e governança. Entre os clubes brasileiros que já adotaram esse formato estão Bahia, Botafogo, Cruzeiro, Atlético-MG e Vasco.
Fonte: Bahia Notícias
Fonte: Bahia Notícias
